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domingo, 29 de abril de 2012

Texto retirado do Blog Educação humanista Inovadora - http://www.eca.usp.br/prof/moran


Tablets para todos conseguirão mudar a escola?

Muitos correm atrás de receitas milagrosas para mudar a educação. Se fossem simples, já as teríamos encontrado há muito tempo. Educar é, simultaneamente, fácil e difícil, simples e complexo. Os princípios fundamentais são sempre os mesmos: Saber acolher, motivar, mostrar valores, colocar limites, gerenciar atividades desafiadoras de aprendizagem. Só que as tecnologias móveis, que chegam às mãos de alunos e professores, trazem desafios imensos de como organizar esses processos de forma interessante, atraente e eficiente dentro e fora da sala de aula, aproveitando o melhor de cada ambiente, presencial e o digital.

Algumas questões que serão cada vez mais debatidas a partir de agora são: Por que tudo tem que acontecer dentro da sala de aula, em horários e ritmos predeterminados? Como ensinar numa sala onde os alunos acessam qualquer informação ao vivo? O que fazer nos ambientes digitais e nos presenciais? Como organizar um currículo inovador com alunos que possuem redes informais de aprendizagem e de comunicação tão interessantes?

Algumas ilusões de mudança

Há uma expectativa crescente de que agora a escola mudará rapidamente. Já vimos esse filme muitas vezes. Quando participei no começo dos noventa do projeto Escola do Futuro da USP, imaginava que a estas alturas do século XXI já teríamos escolas muito diferentes, currículos inovadores, flexibilidade em organizar os percursos de cada um. Mas constatamos que as mudanças foram, em geral, mais periféricas do que profundas.

Outra ilusão é a de que entregar tablets e netbooks para professores e alunos provocará uma grande revolução. Gostaria que fosse assim. Sem dúvida é um avanço promissor. Mas se depositarmos muita esperança nessas políticas quantitativas, poderemos frustrar-nos rapidamente. As tecnologias trazem muitas possibilidades, mas, sem ações de formação sólidas, constantes e significativas, boa parte dos professores tende, após a empolgação inicial, a um uso mais básico, conservador - repositório de informações, publicação de materiais - enquanto os alunos podem seguir utilizando-as para inúmeras formas e redes de entretenimento,como jogos, vídeos e conversas online.

Desafios que os tablets trazem

A chegada das tecnologias móveis à sala de aula traz tensões, novas possibilidades e grandes desafios. As próprias palavras “tecnologias móveis” mostram a contradição de utilizá-las em um espaço fixo como a sala de aula: elas são feitas para movimentar-se, para levá-las para qualquer lugar, utilizá-las a qualquer hora e de muitas formas.

Como conciliar mobilidade e espaços e tempos previsíveis? Por que precisamos estar sempre juntos para aprender? A escola precisa entender que uma parte cada vez maior da aprendizagem pode ser feita sem estarmos na sala de aula e sem a supervisão direta do professor. Isso assusta, mas é um processo inevitável. Em lugar de ir contra, por que não experimentamos modelos mais flexíveis? Por que obrigar os alunos a ir todos os dias repetir os mesmos rituais nos mesmos lugares? Não faz mais sentido. A organização industrial da escola em salas, turmas e horários é conveniente para todos – pais, gestores, professores, governantes – menos para os mais diretamente interessados, os alunos. Ter todos os alunos dentro de um espaço previsível todos os dias dá segurança, tranqüilidade para os adultos – os filhos estão protegidos, os pais podem se dedicar aos seus trabalhos, os professores e funcionários se organizam em horários fixos.

A escola não muda por inércia e por conveniência. Poderíamos ensinar e aprender somente indo dois ou três dias por semana a uma escola e continuar aprendendo através das inúmeras possibilidades dos ambientes online. E o que faríamos com os filhos no restante do tempo? E como orientar todo o processo de aprendizagem a distância? Como transformar isso em horas aula no currículo? Como gerenciar –econômica e didaticamente – esses horários virtuais? Por isso a orientação no mundo permanece no sentido contrário: aumenta-se o número de horas que os alunos permanecem na escola (tempo integral) e continua-se colocando como modelo de educação o os países nórdicos, que valorizam muito mais o professor (importantíssimo) e resolvem tudo na sala de aula com poucas tecnologias (aqui está um dos desafios da mudança).

Viveremos nestes próximos anos um rico processo de aprendizagem na sala de aula focando mais a pesquisa em tempo real, as atividades individuais e grupais online, mudando lentamente as metodologias de transmissão para as da aprendizagem colaborativa e personalizada. Aos poucos perceberemos que não faz sentido confinar os alunos na sala de aula para aprender. Podemos organizar uma parte importante do currículo no ambiente digital e combiná-lo com as atividades em sala de aula de forma que o projeto pedagógico de cada curso integre o presencial e o digital como componentes curriculares indissociáveis. O digital não será um acessório complementar, mas um espaço de aprendizagem tão importante como o da sala de aula. Evitaremos a esquizofrenia atual de manter o mesmo número de aulas presenciais de sempre e ainda pedir para professores e alunos que utilizem o ambiente digital como repositório de materiais, espaço de debate e de publicação.

Com o tempo fará sentido para a maioria repensar os horários, os espaços e as formas de organizar os processos de ensino e aprendizagem. É uma questão de amadurecimento e de profundo intercâmbio de experiências para construir propostas mais arrojadas, testadas e aceitas. Demorará mais do que gostaríamos, mas a chegada das tecnologias móveis à sala de aula é como um cavalo de Tróia. Em curto prazo parece que pouco vai mudar; mas em médio prazo nos obrigará a reorganizar o tempo, o espaço e a forma de ensinar e aprender. Os desafios a nossa frente são fascinantes.

Texto disponível no meu site www.eca.usp.br/prof/moran/tablet.pdf

Educação a Distância um Desafio à Educação


Educação a Distância um Desafio à Educação
Terezinha de Fátima Viotto Fernandes

RESUMO
            O presente trabalho aborda a questão da didática e avaliação no ensino a distância. Por se tratar de uma nova modalidade de ensino, faz-se necessário abordar a importância da didática e da avaliação nesta modalidade. Não deixando de mencionar a autonomia da aprendizagem do aluno frente a essa nova maneira de assimilar e construir novos conhecimentos.
Palavras-Chave: Educação a Distância, Didática, Qualidade na EaD, Autonomia.

INTRODUÇÃO
            A Educação a Distância cresceu e continua crescendo no Brasil e no mundo. A grande procura por uma educação tem feito com que as instituições continuem investindo em ambientes de aprendizagem cada vez mais planejados e informatizados.
            No contexto das sociedades contemporâneas, o incentivo das novas tecnologias fizeram com que essa modalidade de educação buscasse novos caminhos para atingir uma qualidade de ensino na modalidade EaD. 
O Ministério da Educação elaborou o Referencial de Qualidade em EaD  com objetivo de garantir qualidade de educação a distância inibindo a oferta de uma educação superior precária. Assim, permitir condições básicas para desenvolver cursos com qualidade.
Muito se inovou no ensino a distância. Inovação esta que não passa apenas nas tecnologias, como também na didática que muito contribui com os ambientes virtuais de aprendizagem.


FUNDAMENTAÇÕA TEÓRICA

            O ensino a distância aumenta a cada ano nas instituições públicas ou privadas. O Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais –INEP/MEC -(2007) confirma: que 225 Instituições receberam autorização para oferecer cursos a distância a quase 1milhão de estudantes.
            A educação a distância se consolidou com a chegada das tecnologias de informação e comunicação (TIC).  Com isso o ensino a distância começou a esboçar uma nova abordagem. Não só houve mudança na forma de levar o conhecimento como também na postura de quem recebe esse conhecimento. O aprendiz passa a ter mais autonomia na construção de seus conhecimentos. Moran (2011, p. 4) afirma que, numa sociedade cada vez mais conectada, ensinar e aprender podem ser feitos de forma muito mais flexível, ativa e focada no ritmo de cada um.
Vale salientar que a educação EaD no processo ensino aprendizagem os quais utilizam da tecnologia de comunicação mais do que a presença de pessoa física, pois flexibilizam os tempos e os espaços e a maneira de ensinar e aprender. Na EaD o aluno proporciona sua autoaprendizagem. A também de entender que a EaD não é algo pronto que não necessite de uma dedicação, além do exigido no ensino regular. Aqui está o entrave da compreensão do significado da EaD, pois muitos pensam que nesta modalidade não há necessidade e buscar pelos conhecimentos.
O ensino EaD caminha para um novo paradigma de educação a qual pode ser construída por modelos híbridos, sincrônico e assincrônico, que favorece o aprendiz a se programar, planejar e organizar sua forma de estudar.
Vale ressaltar que a EaD tem sido alvo de grande interesse de pesquisa pelas Instituições Educacionais em proporcionar um ensino a distância com qualidade, uma vez que a evolução da EaD impulsionou novas concepções e teorias de aprendizagem com modelos via internet.

 “o uso inovador da tecnologia aplicado à educação, e mais especificamente, à educação a distância deve estar apoiado em uma filosofia de aprendizagem que proporcione aos estudantes a oportunidade de interagir, de desenvolver projetos compartilhados, de reconhecer e respeitar diferentes culturas e de construir o conhecimento (MEC, 2007, p. 9).

Sabe-se que o conhecimento é construído com a interação com o outro sujeito, individualmente, como produto de processamento, compreensão, organização e informação.
Não se pode falar em EaD sem mencionar a didática como um processo de ensino-aprendizagem. Para Libâneo (2005, p. 91), “o processo didático se explicita pela ação recíproca de três componentes: os conteúdos, o ensino e a aprendizagem. Nesse sentido a didática se preocupa com os processos de ensino e busca orientar na construção do conhecimento. O autor afirma ainda que tais componentes operam em referência a objetivos que expressam determinadas exigências sociopolíticas e pedagógicas e sob um conjunto de condições de uma situação didática concreta.
Para atingir um ensino de qualidade na EaD é preciso buscar mais diálogo com os interessados no que diz respeito aos resultados obtidos através de uma avaliação, pois esta modalidade de ensino também precisa ser avaliada. Segundo Piletti, a avaliação:

 [...] é um processo contínuo de pesquisas que visa interpretar os conhecimentos, habilidades, e atitudes, tendo em vista mudanças esperadas no comportamento, propostas nos objetivos educacionais, a fim de que haja condições de decidir sobre alternativas do planejamento do trabalho do professor e da escola como um todo. (PILETTI, 1987, p.190).

Assim, o processo de avaliação tem o papel de diagnosticar as reais condições dos alunos visando alcançar os objetivos e promover o sucesso no ensino a distância. A avaliação como tarefa didática é essencial ao trabalho do professor, pois através dos resultados é que poderá planejar estratégias para consolidar uma aprendizagem concreta.





CONSIDERAÇÕES FINAIS

A qualidade da EaD é um fato muito importante para a construção do conhecimento. O processo de ensino-aprendizagem deve estar integrado a EaD como necessidade de ampliar os conhecimentos através dos procedimentos didáticos apropriando-se dos conteúdos, da avaliação como ferramentas consolidadas.
Pensar em uma nova forma de atuar é um dos paradigmas que devemos lidar para construir uma aprendizagem significativa.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Referenciais de Qualidade para Educação Superior a distância. Brasilia, DF. MEC/SEED, 2007.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. 24. Ed. São Paulo: Cortez, 2005.
MORAN, José Manuel. Fundamentos, políticas e legislação em EAD. Departamento de Extensão e Pós-Graduação. Anhanguera Educacional, 2011.
PILETTI, Claudino. Didática Geral. São Paulo: Ática, 1987.